painel sobre "revista ensino superior" dez/2009

.: os caminhos do ead no mundo :.

Com impressionantes índices de crescimento em diversos países, a educação a distância se tornou não apenas uma alternativa ao ensino presencial, mas uma nova linguagem que veio para ocupar espaço em diversos pontos do globo.
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O fenômeno da educação a distância tem atravessado fronteiras. Não apenas para os alunos, mas também pela capilaridade e crescente expansão da oferta na maior parte dos países do mundo. O desenvolvimento tecnológico possibilitou a diversificação do tradicional ensino por correspondência e abriu oportunidades para que países com baixo acesso à educação melhorassem seus índices. E mesmo nações reconhecidas pelo padrão educacional aproveitam a modalidade para a capacitação profissional ou para a educação continuada. Ou seja, a EAD se transformou em um fenômeno global.

Por isso, a revista Ensino Superior foi investigar como a educação a distância está se desenvolvendo em países referência no assunto. A principal constatação é que mesmo os mais ricos e desenvolvidos utilizam a modalidade para a inclusão. A França, por exemplo, oferece suas mais renomadas universidades como opção de formação de suas ex-colônias. Os Estados Unidos provam que estão à frente na questão tecnológica e já investem em redes sociais, ambientes virtuais e até iPods, mas estudam prioritariamente pela internet.

E a Espanha vai em busca de outros mercados, amparada pela abrangência da língua espanhola. Prova de que esse mercado também já se globalizou, como já constataram algumas instituições brasileiras que começam a mirar no mercado internacional. É preciso olhar a concorrência de uma forma mais ampla.

Outro dado impressionante é que, mesmo em países com processo educacional já amadurecido, os números da educação a distância não param de crescer. Nos Estados Unidos, mais de 3,9 milhões de estudantes fizeram, pelo menos, um curso on-line durante o outono de 2007. Cinco anos atrás, a marca era de 1,6 milhão de alunos.

Pesquisa da Alfred P. Sloan Foundation afirma que os dados de 2007 representam um salto de 12,9% em relação ao ano anterior, superando, de longe, os 1,2% de crescimento da população universitária obtido em igual período.

Segundo o diretor de programas da Sloan Foundation, Frank Mayadas, o número de matrículas em cursos a distância cresceu anualmente 20% nos últimos seis anos. "Este modelo continuará crescendo rapidamente, a taxas, talvez, de 10%", diz. Mayadas acredita ainda que há uma forte tendência para a adoção de cursos híbridos, que combinam aulas presenciais e on-line.

No Reino Unido, a Open University é a maior e única universidade da região dedicada ao ensino a distância. Seus cerca de 200 mil alunos, inclusive de outros países da Europa, possuem acesso a aulas por meio de recursos da web, podcasts e CD-ROMs. A cada semana, mais de 50 mil de suas faixas são baixadas do iTunes.

Segundo informações do Conselho Britânico, cerca de 90% das universidades presenciais da Grã-Bretanha já desenvolveram segmentos de ensino a distância em muitas áreas e em vários níveis. Os setores empresarial e industrial também estão utilizando intensamente este modelo na formação de seus funcionários.

Em Portugal, o ensino a distância também segue a tendência de crescimento. A Universidade Aberta, fundada em 1988, tornou-se, no ano letivo 2008-2009, a primeira e única universidade pública do país a oferecer todas as licenciaturas e mestrados pela internet, em regime de e-learning.

E a Universidade de Coimbra lançou no ano passado 17 cursos de ensino a distância, em setores como o empreendedorismo e robótica à gestão escolar e ao comércio eletrônico.

Para além dessas referências, a educação a distância se tornou um importante mecanismo de inclusão especialmente para os países muito populosos.

Assim como o Brasil, Índia, Indonésia, Turquia e China se destacam pela qualidade dos modelos de suas universidades abertas. E o nome é levado a sério.

Ao contrário da forte regulamentação brasileira, esses países têm preferido o sistema de "funil ao contrário". Na Índia, por exemplo, todos os alunos são aceitos, o difícil é completar os cursos, que exigem muita dedicação.

O Instituto Symbiosis, por exemplo, possui mais de 100 mil estudantes em cursos profissionais de ensino a distância. O governo indiano também anunciou este ano o lançamento de um laptop de US$ 20, como forma de ampliar o acesso à educação e impulsionar a educação a distância no país.

E algumas estimativas consideram que o mercado de EAD indiano movimentou cerca de US$ 23 bilhões ainda em 2004. Nada desprezível.

Vista como um fenômeno global, fica claro que a EAD veio para ficar. Mesmo instituições com tradição no ensino presencial estão tendo de se adaptar à modalidade, mesmo que seja no caráter de semipresencialidade. A questão que se coloca, na verdade, é como aproveitar da melhor forma os recursos tecnológicos para o processo de ensino, seja ele presencial ou a distância.


Agora veja como os outros países estão lidando com esse dilema...
Estados Unidos
França
Espanha
Brasil


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